quinta-feira, 25 de março de 2010

Fica pra posteridade

Pra ti ficam só os teus versos, Teus porque lhe pertecem, ou mesmo porque foste tu que os trouxe a tona.
Ficam os meios sorrisos e tudo aquilo que eu não consegui dizer quando tive a chance. Ficam também os perfumes mal usados e as gotas de cabelo que pingariam no seu lençol.
Na verdade, pra ti, fica tudo de intangível que cogitou existir. Fica tudo aquilo que não aconteceu.

E fica a mais sincera jura de paixão que já existiu.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Interrompido

Nasceu com esse formigamento da racionalidade que impele todos os toques e palavras. Ousou divagar por lugares menos razoáveis com estratégias pouco usuais, e tornou-se tão leviano quanto sua razão permitia. Deu uns pinotes de soslaio, enganou a própria sorte e rendeu-se à escrita, em detrimemento de sua oratória.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mais do mesmo

Deu a volta pelo meio.
Fingi que não senti o seu olhar me acompanhar descer as rampas e escadas. Fiz de tonta, e zelei pela minha integridade social.
Não tardou muito, saiu de seu lugar de segurança e quis saber de minhas passadas. Pensei fugir pr'um lugar qualquer, suficientemente, latino. Mas não me iludo: uma hora a música cessa e a noite engole os sonhos antigos e os pesares pensados num passado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Antes do fim do dia

Sempre em janeiro.
Há um ano atrás, eram nada menos que dois, quase três. Um dos braços e olhos, o outro de palavras e sinestesias e mais um que era de promessas sempre veladas e escondidas pelas verdades e medos do cotidiano.
Desta vez é diferente, um pouco diferente. Temos um novo e pleno.
É aquele do sorriso por cima do lábio quando eu vou embora, aquele que me arde. Não mudou desde setembro. Desde a primeira vez. Nunca é simples, mas qual é a graça da simplicidade? O singelo não precisa deixar de ser complexo e intenso.
É o mês de janeiro. Aqui vamos, denovo, para as tormentas. Verdade seja dita, quem não gosta de chuva?

domingo, 11 de outubro de 2009

Lamento

Apesar de ser erroneamente irrevogável, jamais ousaria dizer que me arrependi de todos os suores.
Eu sinto os ventos e rangidos do vinnil. Pena que foste, enfim, para as masmorras de nossa edificação. de nossa toda e tanta construção.
Deixei de resmungar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Solta

Encontrei os meus caminhos, já os perdi também.
Ultimamente tenho encontratado tantos que tenho desejado desistir dos demais. São esses motivos [nem tão] repentinos.
Sabe, e eu não escondo de ninguém, que te encontrei perdido dentro de mim. Ai se suicido de desejo e saudade. Ou se lhe homicido, é dos mesmos males.
Queria a certeza de sê-lo comigo e sempre. Só pelo gosto de não arder de paixão toda vez que me olha de longe indo embora, com os olhos calmos cuja certeza do regresso é estampada; com o sorriso de canto de boca, que quando acompanha os dentes sobre os lábios me infarta incontáveis e todas as vezes.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

De ontem

livrou-se daquele desespero silenciado.
deu um olhar de lado, sorriu o canto da boca e continuou sua trilha como antes fizera.
pensei desequilibrar-se em suas passadas, mas me iludiu o meu encanto. era nada menos que todo o seu mistério, em sua atmosfera desordenada e estritamente organizada em suas meticulosidades.
que olhe o quanto quiser, ela(U) será SEMPRE irrogavelmente minha, muito antes de quando pensou que fosse tua, meu senhor.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Tosse

O corpo clama saúde.
Noites de delírios em febres ferventes. Sonhou com aquele do pulo, o outro da dança, com o mesmo denovo. Disse adeus, ao do carro.
Criou uma nova expectativa. Tem lido muitos livros infinitos e desejado histórias impossíveis. Tem acreditado na literatura, essa é a verdade.
Ela tem saudade de quando conseguia dirigir por mais de 20 minutos sem sentir-se tonta, sem o ar lhe escapar dos pulmões. Tem saudade mais ainda dos seus versos diversos e inversos. Tem saudade desse tempo que tinha pra sentir suas impressões e expressões, fazend0-as em texto.
Faz um tempo que não visita a cara de seus professores e já não sabe qual o número de trabalhos que lhe restaram pra fazer.

Ela sobreviverá,... eu acho. Mas,... por quanto tempo.
Se aquele dos sorrisos ainda fosse o mesmo... Se fosse.
Veio de muleta o dos trocadilhos, e sumiu o das tatuagens. Tem sido um maremoto a vida dessa menina, dê-lhe um tornado de uma vez.

domingo, 12 de julho de 2009

O último amanhecer

Me apaixonou como um raio e trouxe toda a luz que faltava pro meu caminho. Em algum lugar mais ou menos carioca clama meu nome, meus lábios e meus passos.
Se não fosse tão longe, correria ao teu encontro, não sabia?
Mas a vida engana os trouxas e a paixão vem de mãos dadas com a loucura. É por isso que julgo possível ou julgaria que o fosse, antes de seus últimos suspiros junto às letras.
Inesperado, como sempre. Apareceu assim, numa noite pouco alcoolizada em um lugar qualquer suficientemente longe dos meus problemas. Foi assim também.
Me deu uma das melhores tardes e cedeu-me seus melhores olhares. Desses de lado, tímidos. Meu pesar indica um único desespero: quando é que te encontro denovo?
Ai, seriam perdidos meus clamores mas, de algum jeito, teu coração me escuta.
Por que não te tornas um louco, e visites essa angústia que me cobre o rosto?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O meu repente

Cheios de virilidade. Eram assim que todos costumavam me aparecer. Mal sabiam eles que meus sorrisos vinham dos versos daquele outro. E tão viril, como sempre.
Ah, lembro do gosto do vinil rangendo uma faixa vazia. Tinha seu gosto e seus dedos nisso tudo. Pra variar, chovia. Sempre chovia, já reparou?
Mas enfim, eram vários. A graça foi que desvencilhou-se, enfim, no fim do meu final. Ah, você sabia bem, e qual seria a graça de ter meus abraços e sorrisos só pra ti? E os olhares, depois de tantas lutas pela conquista, o prêmio era o seguinte: ser desejado, e ser o único desejado.
Funcionou por alguns dias, mas as unhas vermelhas não eram um privilégio só teu, muito menos as cartas. Foste de muitas, fui de muitos. O engraçado disso tudo? Estamos no mesmo lugar de antes: nos versos.
Ah,... pelo menos não desassossega mais minh'alma. Deixaste em paz meus sonho, levaste embora meu desespero...