quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem foste

Existem momentos em que a gente se permite sofrer por motivos que não nos pertencem porque precisamos sofrer um pouquinho pra saber que a gente não precisa de determinadas coisas pra ser feliz. Fez sentido?
No fim, quando o turbilhão passa, ou começa a passar, você descobre que é melhor deixar algumas coisas se perderem, e parar de perder você mesmo. Porque quando acaba, não é o fim. É só um recomeço. E a vida é feitas de ciclos com começos e recomeços, com finais desfinalados e desafinados, mas que ainda assim são finais.
É sobre limites que vos falo, e sobre como descobri-los. E mais que isso, os limites mudam conforme o sentimento, acontece que as vezes os sentimentos insistem em ampliar os seus limites, e por fim, você se perde o suficiente pra sofrer sem saber porque você sofre. Sendo que você não se reconhece nas suas atitudes, você não se reconhece em você.
Sinta a gravidade - ou gravidez - do problema.

Aí depois você aprende onde pisar em você mesmo. E descobre que não vale a pena viver sem motivos justos, ou sem estar ao lado de pessoas inenarráveis.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Desses que não sei

São lugares incrédulos. E assim também são as suas pessoas.
E foi assim que me apaixonei, por alguém, que era dos menos impossíveis. Acontece que perdeu a parte do menos, e duvido que meu amor dê pra tanta impureza.
Claro que não deixo de ser incrédula, impossível e, naturalmente, estranha. Mas nunca me fui triste. Até então, nunca tinha sido. Os venenos e poções nunca me atingiram tanto, mas uma vez falha, e torno-me suscetível aos que pretendem que eu assim o seja.
A falha é essa. Um brinde à maturidade, que me livra dos maiores males e me permite ver e viver os sentimentos que preciso pra que eu deixe ir embora. Para que eu deixe se perder, e que eu me permita abrir mão dessa tristeza.
Me perdi em confusões desleais, a maior parte delas provocadas por mim mesma. E no final do dia, eu só queria alguma certeza, seja ela qual for e de quaisquer sentimentos que ela venha acompanhada, mas uma certeza. Um ponto que não fosse reticente...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sobre amores impuros

Afora toda a dor, os grandes amores têm um grande problema quando acabam - ou se deixam terminar. São os resquícios de sentimento que eles espalham pela vida dos, até então, amantes; e que vão produzir os amores impuros.
São aqueles sentimentos que te parecem muito nobres e promissores, mas que na prática são frustrados. É dessas sensações que a gente tem quando tudo vai muito bem, mas você nunca está suficientemente envolvido, empolgado ou satisfeito. E esse amor nasce dos cacos de um amor melhor, mais nobre, envolvido por toda uma atmosfera de decepção e de torpor.
Será que vale a pena dedicar esse amor a alguém, que em breve vai fazer o mesmo que fizeram a ti com essa pessoa? Seja pela mentira, pela diferença, pela desconfiança ou pela falta de um amor puro o suficiente pra resgatar qualquer alma dos lugares comuns?
Posto que findo, e quebrado é irrevogável a essência que assola meus amores futuros, mas será que é justo, ou honesto amar neste amor medíocre?

quarta-feira, 31 de março de 2010

"Sexo é poesia"

Amores e paixões são co-existentes, não necessariamente, simultaneamente e pelo mesmo objeto de desejo.
A paixão incendeia tira o sono e dura o tempo necessário para tornar os detalhes a parte fundamental da memória, e por isso mesmo inesquecível. São os suspiros da madrugada, uma trilha sonora, um dizer particular que ficou prezo na memória como se grude em papel de seda. A paixão tira o sono, o folêgo e a sanidade. É o que faz se deslocar distâncias enormes, e aparecer em qualquer horário inadequado e nos lugares mais inusitados. Uma paixão de verdade não se esquece, mesmo depois que ela para de arder. Todo o desespero silenciado, toda a angustia por mais um alvorecer, todas as gotas de suor frio, tudo passa, mas fica a memória de todos os pormenores, de toda a significância de sua passagem, nada despercebida pela vida de um ser (des)humano qualquer.
O amor é diferente e bem mais difícil, ele suporta muito mais decepções, e por isso mesmo é bem mais judiado que a paixão. O amor se dá, doa e oferece. E nasce de todos os erros do mundo, o primeiro e mais óbvio, é fazer com que exista alguém que possa ser quase tão importante pra você quanto ti mesmo. Depois desse erro, qualquer outro é secundário. O amor é nobre e perdura depois de muito tempo, cresce junto com a admiração e, esta, não termina e guarda lembranças. Essa guarda saudade de uma certa confiança e de segredos tão ímpares que, pra variar, não se valem nas palavras. O amor não precisa de nada mais que simesmo pra existir, mas nem por isso é o melhor dos sentimentos.
A melhor sensação do mundo é o amor apaixonado. Sem limites, sem restrições, pleno e que é capaz de tudo por simples "bons dias" e que guarda tudo aquilo de melhor de cada um, mesmo com o cotidiano.

Me apaixono pelo amor todos os dias e todas as vezes em que me dou ao trabalho de olhar pra ele. Que saudade da sua voz.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Fica pra posteridade

Pra ti ficam só os teus versos, Teus porque lhe pertecem, ou mesmo porque foste tu que os trouxe a tona.
Ficam os meios sorrisos e tudo aquilo que eu não consegui dizer quando tive a chance. Ficam também os perfumes mal usados e as gotas de cabelo que pingariam no seu lençol.
Na verdade, pra ti, fica tudo de intangível que cogitou existir. Fica tudo aquilo que não aconteceu.

E fica a mais sincera jura de paixão que já existiu.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Interrompido

Nasceu com esse formigamento da racionalidade que impele todos os toques e palavras. Ousou divagar por lugares menos razoáveis com estratégias pouco usuais, e tornou-se tão leviano quanto sua razão permitia. Deu uns pinotes de soslaio, enganou a própria sorte e rendeu-se à escrita, em detrimemento de sua oratória.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mais do mesmo

Deu a volta pelo meio.
Fingi que não senti o seu olhar me acompanhar descer as rampas e escadas. Fiz de tonta, e zelei pela minha integridade social.
Não tardou muito, saiu de seu lugar de segurança e quis saber de minhas passadas. Pensei fugir pr'um lugar qualquer, suficientemente, latino. Mas não me iludo: uma hora a música cessa e a noite engole os sonhos antigos e os pesares pensados num passado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Antes do fim do dia

Sempre em janeiro.
Há um ano atrás, eram nada menos que dois, quase três. Um dos braços e olhos, o outro de palavras e sinestesias e mais um que era de promessas sempre veladas e escondidas pelas verdades e medos do cotidiano.
Desta vez é diferente, um pouco diferente. Temos um novo e pleno.
É aquele do sorriso por cima do lábio quando eu vou embora, aquele que me arde. Não mudou desde setembro. Desde a primeira vez. Nunca é simples, mas qual é a graça da simplicidade? O singelo não precisa deixar de ser complexo e intenso.
É o mês de janeiro. Aqui vamos, denovo, para as tormentas. Verdade seja dita, quem não gosta de chuva?

domingo, 11 de outubro de 2009

Lamento

Apesar de ser erroneamente irrevogável, jamais ousaria dizer que me arrependi de todos os suores.
Eu sinto os ventos e rangidos do vinnil. Pena que foste, enfim, para as masmorras de nossa edificação. de nossa toda e tanta construção.
Deixei de resmungar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Solta

Encontrei os meus caminhos, já os perdi também.
Ultimamente tenho encontratado tantos que tenho desejado desistir dos demais. São esses motivos [nem tão] repentinos.
Sabe, e eu não escondo de ninguém, que te encontrei perdido dentro de mim. Ai se suicido de desejo e saudade. Ou se lhe homicido, é dos mesmos males.
Queria a certeza de sê-lo comigo e sempre. Só pelo gosto de não arder de paixão toda vez que me olha de longe indo embora, com os olhos calmos cuja certeza do regresso é estampada; com o sorriso de canto de boca, que quando acompanha os dentes sobre os lábios me infarta incontáveis e todas as vezes.