domingo, 11 de outubro de 2009

Lamento

Apesar de ser erroneamente irrevogável, jamais ousaria dizer que me arrependi de todos os suores.
Eu sinto os ventos e rangidos do vinnil. Pena que foste, enfim, para as masmorras de nossa edificação. de nossa toda e tanta construção.
Deixei de resmungar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Solta

Encontrei os meus caminhos, já os perdi também.
Ultimamente tenho encontratado tantos que tenho desejado desistir dos demais. São esses motivos [nem tão] repentinos.
Sabe, e eu não escondo de ninguém, que te encontrei perdido dentro de mim. Ai se suicido de desejo e saudade. Ou se lhe homicido, é dos mesmos males.
Queria a certeza de sê-lo comigo e sempre. Só pelo gosto de não arder de paixão toda vez que me olha de longe indo embora, com os olhos calmos cuja certeza do regresso é estampada; com o sorriso de canto de boca, que quando acompanha os dentes sobre os lábios me infarta incontáveis e todas as vezes.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

De ontem

livrou-se daquele desespero silenciado.
deu um olhar de lado, sorriu o canto da boca e continuou sua trilha como antes fizera.
pensei desequilibrar-se em suas passadas, mas me iludiu o meu encanto. era nada menos que todo o seu mistério, em sua atmosfera desordenada e estritamente organizada em suas meticulosidades.
que olhe o quanto quiser, ela(U) será SEMPRE irrogavelmente minha, muito antes de quando pensou que fosse tua, meu senhor.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Tosse

O corpo clama saúde.
Noites de delírios em febres ferventes. Sonhou com aquele do pulo, o outro da dança, com o mesmo denovo. Disse adeus, ao do carro.
Criou uma nova expectativa. Tem lido muitos livros infinitos e desejado histórias impossíveis. Tem acreditado na literatura, essa é a verdade.
Ela tem saudade de quando conseguia dirigir por mais de 20 minutos sem sentir-se tonta, sem o ar lhe escapar dos pulmões. Tem saudade mais ainda dos seus versos diversos e inversos. Tem saudade desse tempo que tinha pra sentir suas impressões e expressões, fazend0-as em texto.
Faz um tempo que não visita a cara de seus professores e já não sabe qual o número de trabalhos que lhe restaram pra fazer.

Ela sobreviverá,... eu acho. Mas,... por quanto tempo.
Se aquele dos sorrisos ainda fosse o mesmo... Se fosse.
Veio de muleta o dos trocadilhos, e sumiu o das tatuagens. Tem sido um maremoto a vida dessa menina, dê-lhe um tornado de uma vez.

domingo, 12 de julho de 2009

O último amanhecer

Me apaixonou como um raio e trouxe toda a luz que faltava pro meu caminho. Em algum lugar mais ou menos carioca clama meu nome, meus lábios e meus passos.
Se não fosse tão longe, correria ao teu encontro, não sabia?
Mas a vida engana os trouxas e a paixão vem de mãos dadas com a loucura. É por isso que julgo possível ou julgaria que o fosse, antes de seus últimos suspiros junto às letras.
Inesperado, como sempre. Apareceu assim, numa noite pouco alcoolizada em um lugar qualquer suficientemente longe dos meus problemas. Foi assim também.
Me deu uma das melhores tardes e cedeu-me seus melhores olhares. Desses de lado, tímidos. Meu pesar indica um único desespero: quando é que te encontro denovo?
Ai, seriam perdidos meus clamores mas, de algum jeito, teu coração me escuta.
Por que não te tornas um louco, e visites essa angústia que me cobre o rosto?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O meu repente

Cheios de virilidade. Eram assim que todos costumavam me aparecer. Mal sabiam eles que meus sorrisos vinham dos versos daquele outro. E tão viril, como sempre.
Ah, lembro do gosto do vinil rangendo uma faixa vazia. Tinha seu gosto e seus dedos nisso tudo. Pra variar, chovia. Sempre chovia, já reparou?
Mas enfim, eram vários. A graça foi que desvencilhou-se, enfim, no fim do meu final. Ah, você sabia bem, e qual seria a graça de ter meus abraços e sorrisos só pra ti? E os olhares, depois de tantas lutas pela conquista, o prêmio era o seguinte: ser desejado, e ser o único desejado.
Funcionou por alguns dias, mas as unhas vermelhas não eram um privilégio só teu, muito menos as cartas. Foste de muitas, fui de muitos. O engraçado disso tudo? Estamos no mesmo lugar de antes: nos versos.
Ah,... pelo menos não desassossega mais minh'alma. Deixaste em paz meus sonho, levaste embora meu desespero...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre a paz

Me arranca sorrisos de lado.
Esse efeito é tão peculiar.
Esperei teu carro naquela esquina ontem. É uma pena que justo ontem, tenhas desistido.
Há quanto tempo foi aquele tempo?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Pro bem

Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Prá que você possa entender
O que eu também não entendo...
...
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
...
Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?

A verdade é que eu já comecei a escrever essa carta incontáveis vezes. Só que ela nunca fe tanto sentido, como faz agora. Todo esse desespero e angústia, essa alma aprisionada enfim, quer me provar alguma coisa. No mínimo que meu orgulho não é tão absurdo assim, e que meu coração enfim, tem uma saída.
Eu já não sei mais quem costumava ser. Prendi-me em algumas crenças inacreditáveis e quando vi, por fim, despencaram meus postulados: já não sabia mais onde pisar.
Amei como ninguém jamais o fez. Isso porque em algum (in)consciente eu sabia que nunca estarias e que nunca te terias comigo. Essa foi a minha maior loucura de amor. Amei sabendo que era nada menos que chama que se apaga mas deixa a fumaça de lembrança.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Prostitutas e amantes

Confesso que depois perdi o prumo. Eu era contra esses momentos em que se paga por sexo. Isso porque acreditava que era inviável gostar de alguém que se vende assim, até o dia que me apaixonei por aquela vagabunda. Sabia que nunca seria digna de meus olhares, presentes e ardores mas suportaria qualquer desfeita por mais uma noite com ela.
Seu vestido rasgado me seduzia quando ela fechava a porta daquele muquifo. Me fazia de homem indiferente, mas a buscava sempre naquele beco. Por vezes cheguei atrasado e ela já tinha se recolhido para outros homens e variados cantos, comôdos. Esses dias eram os mais frustantes.
Queria ceder-lhe minha vida, e arrancar aquela do anel para colocá-la em seu lugar, mas a minha pequenina de olhos mel me impedia de alguma forma. Era uns anos mais nova que meus cabelos quase grisalhos, mas para a profissão era bem mais velha que a média. Não tinha beleza estupenda, mas agradava meu corpo.
Ela não tinha nada de absurdo, mas sentia falta do seu cheiro de cigarro barato, de seu perfume francês falsificado (que havia perdido a validade) e até mesmo do suor seco que delatava suas experiências antes de extraí-la para a cama paga.
De um dia pro outro sumiu, fiquei à míngua e perdi toda a minha dissimulação. Soube meses mais tarde que havia engravidado, e que ninguém sabia do pai. Sabe, acho que aquela noite sem pudores deve tê-la enlouquecido. Ah! Se ela soubesse que eu me entregaria aos seus despudores.
Modou-se, e desde então sou o mesmo medíocre de todos os dias.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Sobre mim:

Vêm em pilhas, aos montes.Meus segredos são assim, solenes. Guardam-se, por bem ou por mal nas peculiaridades de cada sorriso. A chave de dizê-los está nos olhos: o sorriso da alma.Guardei so meus sorrisos para a posteridade. Guardei meus sentimentos para os próximos anos. Me guardei o suficiente para desaprender os meus próprios sorrisos.Protegem, assim, meus segredos. Sempre tão íntimos e ínfimos, conseguem dizer-me como ninguém. Sabem como me tirar a sanidade e encontrar em mim a loucura.Ah!... aqueles tantos sorrisos que coleciono pelas ruas. Guardei um diferente um dia desses, era peculiar, não tinha dentes, mas os olhos brilhavam como marfim.Tem gente que coleciona figurinhas, outros mais românticos, papel de carta. Eu coleciono sorrisos, e por isso tenho colecionado almas e essências. Ah, são meus tantos sorriso de soslaio, abertos, tímidos e entregues. Seriam ele tão difíceis de dizer? E as palavras tão plenas que não os conseguem encontrar?Me apaixonei por sorrisos. É, enfim, tempo de contar-lhes sobre os meus segredos...Sejes sorrisos.